
A arte tem um poder fantástico: o de instituir mistérios. Por intermédio dela, é possível chegar em locais que a razão pura desconhece. As recentes obras de Selma Gusmão indicam justamente esse caminho. Principalmente nos abstratos ou nas imagens em que o referente não está evidente, é estabelecida uma nova ordem.
Trata-se da criação de uma atmosfera em que o trabalho da artista tende a crescer. Muito mais importante do que aquilo que está representado no papel ou na tela é o processo criativo, caracterizado pela ampliada liberdade dos atos do fazer e do pensar. O maior desafio está em buscar sempre novas alternativas.
O uso da caneta posca e do lápis aquarelável aponta para uma fluidez na direção de uma construção visual em que a alegria e a mutação desempenham papeis essenciais. A série de borboletas, por exemplo, traz muito mais do que animais. Apresenta uma visão de mundo em que existe um permanente caminhar.
O trabalho presente é um evidente desenvolvimento do que foi feito até agora pela artista. Não há um salto entre o passado e o presente, mas uma continuidade rumo ao futuro. Este momento é o de colher os frutos de um processo. Cada obra atual não tem apenas valor intrínseco em si mesma. É sim o resultado de toda a trajetória artística e vivencial realizada por Selma Gusmão até hoje.
Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br