
As fronteiras entre a vida pública e a vida privada de pessoas famosas sempre são um bom assunto. ‘A Cordilheira’, dirigido por Santiago Mitre, trata justamente dessas duas dimensões na trajetória de um fictício presidente argentino, vivo pelo carismático ator Ricardo Darín.
De um lado, ele está participando de uma conferência de presidentes latino-americanos no Chile em que se discute um acordo continental de petróleo, envolvendo a liderança brasileira do continente e a poderosa influência dos EUA e do México. Do outro, a sua filha, com distúrbios psicológicos, traz à tona fatos que ele parece querer esquecer.
Se o presidente recém-empossado precisa mostrar à imprensa nacional e internacional a que veio, também não pode deixar vir à tona um escândalo financeiro e um assassinato nos quais parece estar envolvido. Isso sem contar a corrupção que envolve as negociações de cúpula.
A humanização da figura pública é um dos méritos de um filme que nos faz ver como os grandes líderes não são super-heróis, mas pessoas comuns cercadas por dúvidas e imperfeições.
Conseguir ser um líder significa estar acima do cotidiano operacional e, nesse sentido, as discussões sobre o significado do trabalho para cada ser humano e sobre a existência de fronteiras entre o bem e o mal são pontos fortes da obra.
Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br