
Para ler ouvindo: https://www.youtube.com/watch?v=BRPGRdbGHSs
O filme ‘Eu Só Posso Imaginar’, de Andrew e Jon Erwin, conta a história da música cristã de maior sucesso até hoje: ‘I Can Only Imagine’, da banda MercyMe. Nem a composição, nem o grupo, nem a obra cinematográfica podem ser considerados excepcionais, mas há um ponto que interessa a todos os que amam o processo criativo: como foi realizada essa composição.
Afinal, a banda e o autor da música eram praticamente desconhecidos, e a melodia os tirou do anonimato. Mas, como? Por quê? Os diretores mostram essas questões sob um viés religioso, já que a obra teria sido composta como um ‘acerto’ de contas do compositor com o pai, que batia na esposa e não acreditava no talento do filho.
Mas há algo a mais nesse processo que constitui um mistério. Talvez o produtor que descobriu a banda tenha matado a charada ao apontar que a música trouxe à tona a ‘verdade’ interior do seu autor. E isso seria transmitido às pessoas em geral. Transformar o particular em universal seria a grande resposta ao dilema entre ter uma ideia e torná-la um êxito.
Assistir ao filme sob essa perspectiva é um interessante desafio, pois a direção busca naturalmente colocar as questões acima sob uma perspectiva apenas religiosa, mas pensar a história da música sob o olhar do processo da criação constitui um exercício muito interessante, pois nos obriga a repensar o cotidiano de nossos atos criadores.
Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Estes e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br