
Antes de ler, ouça a interpretação de Antonio Abujamra em: https://www.youtube.com/watch?v=OSZ8YBf1FkM
Há vidas que são extraordinárias e que chegam ao conhecimento público por meio de autobiografias, biografias ou filmes. Outras caem no esquecimento. O filme ‘Lou’ nos permite conhecer a escritora e psicanalista russa Lou Andreas-Salomé (1861 – 1937), que teve um importante papel com escritos e reflexões sobre a sexualidade feminina.
Com direção de Cordula Kablitz-Post, a obra foca o relacionamento de Lou com Nietzsche, Freud e Rilke e as reflexões dela para um melhor conhecimento do significado de ser mulher, principalmente com os tabus que isso trazia em sua época, ainda mais quando escolhera o caminho do estudo e da prática psicanálise, malvista pelos nazistas.
Um trecho de um texto de Lou mostra bem a força de seu pensamento:
“Ouse, ouse... ouse tudo!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!”
A imagem do filme que ilustra este post caminha nessa mesma direção. Ela ativamente pulando do barco a remo com os homens passivamente olhando resume o espírito ousado, a procura pelo novo, pelo diferente e contra qualquer tipo de acomodação, seja no gênero feminino ou como intelectual.
A cinebiografia ‘Lou’ tem o grande mérito de nos dar a oportunidade de mergulhar nos traços intelectuais de uma pessoa que fez história por defender os ideais de liberdade, da ousadia e do pensamento independente de gênero.
Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br