
Os desenhos de Papas Stefanos evidenciam como criar é interpretar o mundo. Muito mais importante do que o tema adotado, é a maneira como ele se debruça sobre o assunto, seja a figura feminina ou a reflexão sobre o próprio ato de dar ao mundo tridimensional uma dimensão bidimensional.
Afinal, é disso que trata o desenho. Trata-se de uma atividade que faz uma leitura do considerado real. Ela o interpreta e cada artista atinge isso com uma digital própria, única e que não pode ser repetida ou copiada. Desenhar é tomar um espaço em branco e dar-lhe vida – e há infinitas formas de fazer isso.
Quando traços, formas e cores ganham o espaço anteriormente branco e virgem, ocorre um nascimento. Esse ato tem a sua magia, é claro, mas é resultado também de um processo que envolve técnica, observação, estudo e prática. Há aí tantas maravilhas, porque as variáveis se multiplicam e conjugam.
O desenho de Stefanos apresenta uma tela ganhando vida pela pintura que um artista faz nela de uma mulher. Quantos elementos ali estão! O suporte a ser desvendado, a decisão do artista do que deseja fazer, a escolha de um material e de uma maneira de ocupar o espaço e a figura que surge ao ser desvendada pelo observador. Que viva o desenho!
Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br