
A exposição de pinturas em óleo sobre papel de Ana Prata na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, SP, constitui um autêntico ato de amor à arte. Não são apenas trabalhos que ilustram o livro ‘De amor tenho vivido’ (Companhia das Letras), de Hilda Hilst, mas sim uma declaração de afeto ao ato de criar.
O que se vê ali é um reflexo do que uma criadora visual pensa não só da magnitude da obra da escritora, mas, principalmente, da própria arte como espaço de realização de procedimentos visuais. As maneiras de Ana Prata lidar com o espaço e com os materiais apresenta uma delicadeza e sensibilidades de um demiurga consciente do ofício.
Existe ali uma mescla mágica entre a intuição do processo criativo e o domínio técnico dos materiais – e isso não significa possuir poder sobre eles, mas sim ter a humildade de se deixar levar por aquilo que imagens, ideias e recursos pedem. O resultado revela entrega a uma ideia e a um conceito.
As imagens trazem à cena o mesmo tom visceral dos escritos de Hilda Hilst. As palavras articuladas pela escritora em combinações imortais encontram agora seu paralelo em criações imagéticas em que existe um contínuo fazer que desconhece limites, pois a experimentação está em primeiro lugar – e esse é o maior prazer que um autêntico artista pode ter.
Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br