
As fotografias de José Bassit realizadas com celular expostas na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, SP, com o tema Avenida Paulista, tem um peculiar encantamento por dois fatores essenciais. Um deles é a já conhecida habilidade do profissional em captar personagens nas mais variadas situações.
O segundo, porém, é mais fascinante, porque apresenta um trabalho capaz de lidar com a superfície plana do suporte em camadas de sentidos e de interpretação. Dessa maneira, por exemplo, tatuagens na pele, um livro de HQ e traços no chão ganham a mesma dimensão visual. Todos se relacionam pela maneira como são colocados no espaço.
As cores e reflexos auxiliam a harmonizar o conjunto que muitas vezes têm no inusitado sua matriz primordial. O que maravilha é a capacidade do olhar de, em meio a infinitas possibilidades, realizar determinadas escolhas. Isso significa deixar de lado outras manifestações plásticas para se concentrar naquilo que se desejou destacar.
Um elemento essencial nas imagens expostas está no entendimento do conjunto como uma interpretação plena de sentido, num maravilhar-se perante a realidade que demanda se manter sempre atento e com a capacidade de se surpreender a cada instante. Assim, uma imagem é sempre única e original, pois é captada com frescor e espontaneidade.
Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br