
As pinturas de Caio Beltrão trazem alguns elementos importantes. Existe nelas um aspecto lúdico na maneira de trabalhar com rostos, formas e cores. Acima de tudo, há uma maneira de articular aquilo que se chama de real por meio de uma interpretação visual em que a liberdade desempenha um papel essencial.
Os seres humanos recriados que aparecem nas imagens são delineados em seus elementos essenciais. Existe ali uma busca das essências que é a característica principal da arte contemporânea. O mais importante não está naquilo que se mostra, mas no processo de construção e na maneira como se pensa aquilo que o espectador vê na tela.
Nesse sentido, o pintor consegue nos levar ao universo dos elementos e das discussões visuais mais importantes. A principal discussão sai daquilo que se vê e vai para o como aquilo é feito. Os procedimentos estéticos e os processos plásticos ganham força, pois oferecem respostas para as perguntas do artista perante o mundo.
Não se trata de uma caminhada simples, mas de uma jornada que envolve uma leitura peculiar do mundo. Cada trabalho traz uma concepção plástica marcada pelo sentir, pelo pensar e pelo fazer. Assim surgem rostos fascinantes, plenos de indagações presentes e futuras, com densidade, ironia e bom humor, num retrato pessoal da existência.
Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br