
A tela ‘On the Points’ (1928), de Wassily Kandinsky (1866 – 1944), traz uma reflexão sobre o futuro de nossa mente. Se, por um lado, a parte superior está repleta de liberdade e inventividade na maneira como as formas geométricas são articuladas; no setor inferior, essas imagens brotam de uma base. Preservam o começo, criam o infinito.
Existe, portanto, um apoio para que as ideias mais amplas ocupem o espaço. A imagem pode nos servir de metáfora sobre como qualquer viagem mental ou intelectual demanda um suporte ou apoio. Mesmo quando alguém se diz livre ou alheio a referências, existe nele algum tipo de estofo visual, sonoro e intelectual.
Somos feitos do que absorvemos. Como esponjas molhadas apertadas, o que é excedente se esvai, mas o que fica está entranhado na alma, no espírito, no fazer artístico e profissional, ou seja, na procura por novos horizontes em que se possa viajar o mais alto possível, sendo honesto com os próprios desejos e ideais.
Kandinsky nos ensina visualmente a viajar com os pés no chão – e não há nisso nada de paradoxal. Para partir para mais longe, é necessário tomar impulso – e isso demanda ter os pés no chão e a mente com capacidade aberta para voar. Nada simples, mas desafiador. Pouco conceitual – e muito prático. Nunca fácil, mas sempre maravilhoso!
Oscar D'Ambrosio é mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Leia este e mais textos em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br
Kandinsky, Wassily. On the Points. Oil on canvas, 1928. Musée National d’Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris, France.