
O preconceito e a intolerância ocorrem por muitos motivos. É comum pensarmos em aspectos raciais, religiosos ou de gênero, mas o gigantismo raramente é lembrado, talvez por parecer longe de todos nós. Mas, trocadilhos à parte, justamente por ser algo mais raro oferece uma grande oportunidade de pensar como o ser humano pode ser vil.
O filme 'Handía', rodado em língua vasca e dirigido por Aitor Arregi e Jon Garaño, venceu 10 Prêmio Goya, o principal do cinema espanhol, ao contar a história real de Miguel Joaquín Eleizegui Arteaga, um homem do século XIX que sofria de gigantismo e que ficou conhecido como o Gigante de Altzo, tendo atingido 2,42 m de altura.
Graças ao irmão, Miguel começa a realizar apresentações inicialmente na Espanha, inclusive para a rainha Isabel II, mas logo em outros países, como Portugal, França e até a Inglaterra, onde visitou a Rainha Vitória. Tudo isso trouxe fama e riqueza, mas a decadência física causada pela acromegalia levou à morte, aos 43 anos, por tuberculose.
O drama desse sucesso sem se ter alguma habilidade ou talento especial além do tamanho é tratado no filme com crueza. A relação com o irmão empresário também é explorada de modos a nos fazer pensar sobre o quanto é possível/saudável sacrificar os sonhos próprios e alheios por dinheiro. Que o filme nos ajude a sermos mais humanos!
Oscar D'Ambrosio é mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura.