
O mundo da migração e da intolerância religiosa tem muitas caras. É difícil entender todas as nuanças, ainda mais quando as tensões são tão grandes na sociedade contemporânea, principalmente na Europa, onde a violência em questões envolvendo os dois tópicos crescem, se multiplicam e preocupam.
O filme holandês 'Layla M.', dirigido por Mijke de Jong, traz luzes muito ricas sobre essas questões. Exibido no Festival de Toronto e escolhido como o candidato da Holanda na busca por uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro, aborda aspectos controversos que envolvem de dramas humanos ao terrorismo.
A personagem-título é uma jovem nascida na Holanda de origem marroquina. Perante medidas anti-muçulmanas, mesmo a contragosto da família, aproxima-se de radicais islâmicos, casa-se com um jihadista e viaja para uma célula terrorista no Oriente Médio. Ali, ela e o marido transformam sua relação entre si mesmos e com o mundo.
O filme traz uma visão rara em suas múltiplas facetas. Não há bons, maus, anjos ou demônios, mas pessoas em transformação constante, muitas vezes á deriva entre o que querem ser, aquilo que os outros querem que sejam ou que não sejam e um desejo de sobrevivência que nem sempre pode levar às melhores decisões. Atual e imperdível!
Oscar D'Ambrosio é mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura.