
Paisagens nada mais são do que percepções de mundo. E isso não é pouco. Ao se observar atentamente as pinturas do artista visual Angerami é possível perceber um movimento interno que resulta numa construção plástica em que a técnica encontra a humanidade. Por isso, as suas pinturas emocionam. São paisagens humanas.
Ocorre um processo de composição em que a tinta, as formas, as cores e ois materiais estão em consonância. O que se vê um amalgamar de um pensamento. As áreas são definidas ou diluídas de acordo com o que cada trabalho pede num andamento musical, em que cada novo trabalho não é a repetição do anterior, mas um passo adiante.
Trata-se muito mais do que uma discussão entre figuração e abstração ou impressão e expressão. O que está em jogo é uma interpretação do mundo que vem de dentro para fora, mas que permanece aberto aos estímulos externos. Surge assim uma obra permeável a mudanças e transformações, num jogo que olha sempre para o futuro.
Os planos obtidos são muito peculiares, pois se valem de diversos procedimentos, que vão do uso da vassoura para pintar à utilização de folhas de ouro. Tudo contribui para que Angerami apresente constantes novidades rumo a um amadurecimento permanente como pintor e ser humano, em busca de uma melhoria existencial constante.
Oscar D'Ambrosio é mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura.