
Em 30 de abril de 2011 falecia o escritor argentino Ernesto Sabato. Nascido em 1911, chegou a trabalhar em pesquisas que resultaram na bomba atômica. Desiludido, passou a se dedicar integralmente á literatura e, esporadicamente, à pintura. Deixou obras inperdíveis como "O túnel" (1948), "Sobre heróis e tumbas" (1961) e "Abaddón o exterminador" (1974).
Sabato ainda encabeçou a comissão de notáveis que compilou centenas de depoimentos de familiares e vítimas da ditadura argentina (1976/83) que figuraram no célebre "Nunca Mais. Relatório da Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas" (Conadep), editado em 1985.
E sua pintura? São obras escuras, tenebrosas, mas plenas de humanidade pungente. Seja em seu autorretrato ou em retratos estilizados que homenageiam escritores como Kafka, Dostoievski ou Virginia Woolf, existe uma força extraordinária. Cada imagem nos faz pensar sobre a fraqueza dos seres humanos e sua condição efêmera no mundo.
A escuridão predomina, e os focos de luz são colocados estrategicamente nos locais que se deseja valorizar. A pintura de Sabato funciona como um direto no fígado aplicado por um bom boxeador. Paralisa sem estardalhaço. Obriga a pensar sobre aquilo que nos torna humanos, pois apresenta a dor do existir com profundo lirismo.
Oscar D'Ambrosio é mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura.