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Eu, Tonya

Sobre como não ser o primeiro dos perdedores
Eu, Tonya
13/04/2018

O filme 'Eu, Tonya', que rendeu o Oscar 2018 de Melhor Atriz Coadjuvante para Allison Janney, como mãe da protagonista, trata da rivalidade da patinadora no gelo Tonya Harding contra a concorrente Nancy Kerrigan, atacada durante os as competições preparatórias para os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994.

 

O grande mérito da obra está em dar voz a Tonya, banida para sempre da patinação, que passou a praticar box profissionalmente até se retirar de qualquer atividade esportiva. A maneira de contar como uma criança de família pobre, abusada moralmente pela mãe, sexualmente meio meio-irmão e vítima de agressões físicas pelo ex-marido consegue vencer no esporte de alto nível.

 

Uma das chaves de leitura da direção de Craig Gillespie está justamente em criar um painel do mundo competitivo da patinação artística, em que a roupa, a maquiagem, a música escolhida e o comportamento dentro ou fora da pista contariam tanto ou mais do que o desempenho apresentado aos juízes.

 

Trata-se de um questionamento interessante, numa sociedade em que somos treinados para a vitória a qualquer custo e onde o segundo lugar, como já foi dito, é ser o primeiro dos perdedores, 'Eu, Tonya' aponta que o lema olímpico 'o importante é competir' do célebre Barão de Coubertin parece ser cada vez mais utópico.

 

Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura.