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Dijodio

Poesia dos materiais
Dijodio
06/04/2018

Uma das características da arte contemporânea está na fusão ou justaposição de materiais. Há uma tendência, que vem ganhando cada vez mais espaço, de se apropriar de diversos elementos e colocá-los para conversar nas mais diferentes situações. Surgem assim diálogos em que o aparentemente inusitado ganha relevância visual e sentido estético.

 

É o caso das composições de Dino José Custódio, conhecido como Dijodio, nascido em Inhumas, Goiás, em 1957. É principalmente nos trabalhos em que mescla pedra com metais que ele atinge resultados mais significativo, criando totens, monolitos ou obeliscos que se relacionam com aquilo que está ao seu redor de maneira lírica.

 

O lirismo se dá na articulação do vigor da natureza com o metal. Os diferentes se atraem de modo a criar uma nova possibilidade de interpretação daquilo que consideramos realidade. O contato com o diferente leva a rever e revisitar valores, no sentido de questionar aquilo que acreditamos, colocando-o sob uma nova perspectiva.

 

A poética visual de Dijodio reside justamente na construção de imagens viscerais, em que o espontâneo e o articulado se combinam no sentido religioso mais pleno, ou seja, num processo de se reposicionar perante o mundo, olhando para o próprio potencial criador e para a realidade circundante de duas maneiras ao mesmo tempo: com pureza e com reflexão crítica. São caminhos que parecem distintos, mas que se cruzam e têm áreas de encontro quando se pensa em cada manifestação artística como uma livre e poderosa interpretação do mundo.

 

Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura.