
A arte é um diálogo com o mundo e cada criador pode conversar com ele à sua maneira. Nascida em 1974, a paulistana Renata Kesselring realiza esse processo de por meio de dois procedimentos visuais: a cor e a alegria. Ambas são articuladas de maneira a gerar obras que transmitem bom humor.
Ao se contemplar os seu trabalhos, de diversas temáticas, mas com uma presença recorrente da natureza (árvores e pássaros), animais de grande porte (cavalos, leopardos, tigres, onças) ou vasos de flores, é quase impossível não esboçar um sorriso de contentamento ou de satisfação. A vida parece ganhar ali um sentido, diferente e misterioso para cada um.
As pinturas e aquarelas de Renata oferecem uma peculiar e particular entendimento do mundo. Cada obra constitui uma espécie de narrativa, pois sugere uma ação anterior e uma posterior. A imagem que vemos é uma espécie de frame, um ponto congelado de uma história que teve desenvolvimento anteriores e terá posteriores.
O desenvolvimento dessa poética visual de Renata Kesserling se dá pelo uso das tonalidades, geralmente quentes, para destacar elementos. As composições possuem um certo mistério a nos indagar como a artista realiza suas interpretações, com um sorriso no rosto e um olhar simpático e amável para uma realidade que nem sempre nos dá uma devolutiva semelhante.
Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura.