textos

diárias de bordo

Artista do desastre

Desejo de criar
Artista do desastre
04/04/2018

O que torna uma obra de arte boa ou má pela crítica especializada, pelo público e pelos próprios artistas? Quais são os parâmetros? Até que ponto a objetividade técnica e o a impressão pessoal se articulam para emitir um juízo? Essas questões sem uma reposta simples - ou mesmo possível - atormentam gerações de criadores.

 

O filme 'Artista do desastre', de James Franco, traz iluminações sobre essas e outras perguntas que não deveriam ser deixadas de lado. Aparentemente, vemos a história real de como o diretor Tommy Wiseau e o ator Greg Sestero produzem o filme 'The Room'. em 2003, considerado tão ruim que se tornou cult em salas de cinema ás 24 h nos EUA.

 

O filme de Franco, no entanto, traz olhares sobre assuntos essenciais. Mostra a insistência de Wiseau em realizar o seu sonho; e como seu egocentrismo põe tudo a perder. Mostra ainda como o amor pela arte leva atores e equipes a se engajar mesmo em causas perdidas, como uma obra em que tudo anunciava que daria errado.

 

Quem é artista sabe que lidar, viver e sobreviver nessa jornada demanda manter aceso o desejo de criar, a capacidade de ouvir negativas e a autoconfiança, mesmo quando parece existir apenas a solidão ao redor. 'Artista do desastre' ganha ainda mais quando vemos os créditos finais, quando cenas do 'The Room' original são colocadas ao lado das recriadas. Emoção pura!

 

Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura.