
A arte chamada acadêmica enfrenta um grande preconceito. Tornou-se uma espécie de mundo paralelo de ficção científica, uma espécie de matrix, que todos desconfiam que existe, mas do qual poucos gostam de falar. Tornou-se um lugar comum, nessa ótica, dizer que a com a invenção da fotografia a representação do real perdeu o seu espaço.
É evidente que a prática artística é bem mais complexa e não cabe nessas definições apressadas. Desenhar e modelar o corpo, a paisagem, naturezas-mortas ou composições com pratos de metal e outros elementos traz um número imenso de desafios técnicos e conceituais que não podem ser ignorados.
Saber trabalhar com luzes, sombras, proporções, brilhos e texturas demanda um aprendizado demora e permanente. dar vida na superfície bidimensional à tridimensionalidade da existência comporta indagações sobre o sentido da arte que estão além da mera representação. Envolvem um entendimento do mundo nada simples.
A pintura de Olivia Carnevale se dá justamente nesse universo de sutis encantamentos e contradições. O apuro formal caminha ao lado de um refinamento de compreensão da arte. Pintar o mundo como ele aparentemente é pode ser - e geralmente é - um enigma tão complexo como desejar pintá-lo como poderia ser. Lembrar disso é uma importante porta de entrada para a pintura dita acadêmica.
Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura.