textos

diárias de bordo

Patricia Mesquita

Conexões (in) esperadas
Patricia Mesquita
28/03/2018

A arte abstrata tem, dentro de si, elementos interessantes que podem ser aglutinados ou não. Alguns preferem a liberdade do gesto, num ato mais espontâneo, em que a intuição rege o movimento. A ideia parece ir direto da mente para a tela ou para o papel, tendo o braço e a mão como intermediários.

 

Outros tomam a realidade conhecida e a fazem passar por um processo que desconstrução do que comumente se vê, pintando sobre ela ou deformando-a até que pouco ou nada reconhecível reste. São dois caminhos que podem conviver. Um não elimina o outro e ambos se complementam no sentido de um processo criativo amadurecido.

 

Patricia Mesquita apresenta em sua caminhada esses processos como parte de sua relação plástica com o mundo. Quando ocorre uma maior liberdade, na qual não há áreas fechadas ou presença de escorridos, o trabalho cresce em autonomia e em indagações. O que se vê traz perguntas e conexões (in) esperadas sobre aquilo que se acredita ser verdade.

 

Surge assim uma pesquisa peculiar, marcada pela soma entre o pensar e o fazer, pois, por mais espontâneo que um trabalho possa parecer, é resultado das experiências somadas daquilo que já vimos e do que apreendemos de forma mais ou menos conscientes. Assim caminha a arte de cada um, conectada com o próprio interior e com o de todas as épocas.

 

Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura.