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Humanos, um teatro do viver

Humanos, um teatro do viver
03/06/2026

Humanos, um teatro do viver

 

Arte não é apenas representar o mundo. Trata-se de uma forma de interpretar o que existe ou o que se imagina por meio de uma habilidade aliada à técnica, à emoção e à criatividade. Na fotografia de Rubens Guelman, a imagem se torna uma fala em camadas, que propicia múltiplos olhares e interpretações sobre a condição humana

 

As imagens apresentadas pelo artista visual são recortes do que se chama realidade sob uma perspectiva de valorização de pessoas dos mais variados lugares e nas mais diversas situações. De certa maneira, auxiliam cada um de nós a questionar-se perante o infinito universo de estímulos diários que recebemos. 

 

O trabalho instaura um universo lírico a partir de recortes. Há, em suas imagens, precisão estrutural busca pela liberdade de navegar pelas complexidades do cotidiano. Nesse sentido, foca diversidade cultural de pessoas dos mais variados lugares, construindo uma cartografia do existir.

 

Há um sutil convite para pensar o cotidiano em uma óptica em que cada fotografia não é apenas resultado de um instante, mas constitui a síntese de vidas, tanto de quem cria a imagem como de quem é clicado. Cada registro parece ser um sonho visual, que ganha concretude quando é percebida no cotidiano. 

 

Existe um carinho pela humanidade que convida a olhar para além da imagem, de modo que ela não se torna um horizonte a perder de vista, mas uma paisagem humana que convida a um pensar. Constitui um portal iluminador que metaforiza cada ser retratado como parte de um todo do teatro do viver. 

 

As pessoas retratadas abrem o olhar do observador na direção de fazer descobertas no cotidiano. Elas são conectadas, em suas sutilezas, com a Humanidade. Conectam-se com cada um de nós pelos olhares e gestos em um movimento que as torna parte de nossa existência.

 

A fotografia de Rubens Guelman oferta uma visão diferenciada do espaço. Suas imagens são um convite para observar o trivial do espaço e desvendar seus mistérios. O essencial está na capacidade de provocar um questionamento sobre nós mesmos, transformando o ato de ver em um exercício permanente de alteridade.

Oscar D'Ambrosio