
O documentário “The New Yorker at 100", lançado pela Netflix, celebra o centenário da célebre revista norte-americana. Dirigido por Marshall Curry e narrado por Julianne Moore, percorre os bastidores da redação, com foco, principalmente, na edição de centenário e na exploração de temas como as capas ilustradas e o jornalismo investigativo.A publicação, criada em 1925 pelo casal de jornalistas Harold Ross e Jane Grant, focou, desde as suas origens, o público metropolitano e sofisticado da cidade. A primeira capa trazia a ilustração de um dândi observando uma borboleta através de um monóculo. Criado por Rea Irvin, o personagem se tornou mascote oficial da revista, reaparecendo nas edições anuais de aniversário.Um ponto de virada histórica ocorreu em 1946, com a publicação de “Hiroshima”, artigo de John Hersey sobre os sobreviventes da bomba atômica. O texto ocupou uma edição inteira e consolidou a reputação da revista no jornalismo investigativo.Outro texto fundamental foi “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson, série de três artigos na The New Yorker publicados em junho de 1962. Nelas, foi denunciado o uso indiscriminado de pesticidas (como o DDT), provando que eles não matavam apenas insetos, mas entravam na cadeia alimentar, matando pássaros e ameaçando a saúde humana.Outro momento marcante enfatizado no documentário é “A Sangue Frio”. Em 1965, o editor William Shawn deu a Truman Capote os recursos para investigar o assassinato da família Clutter no Kansas. O texto foi publicado originalmente em quatro partes consecutivas e é um dos marcos do "Romance de Não Ficção" ou New Journalism, gerando reações ambíguas, tanto pela crueza da narrativa como pelo fato de ser um texto, embora Capote negasse, muito mais de ficção do que jornalístico.A publicação, como aponta o documentário, se mantém como uma referência para uma publicação que até hoje resiste a textos curtos e superficiais e, principalmente, como narra o filme se caracteriza pela checagem acurada de tudo o que publica, sendo um modelo da prática do chamado fact-checking.Oscar D'Ambrosio