
A inquietação é a força motriz da arte. O criador visual, por exemplo, pode estar insatisfeito com o mundo que o cerca e/ou com a própria criação que realiza, mas, acima de tudo, é movido pelo desejo de buscar novos paradigmas para o seu trabalho, conseguindo ampliar a sua visão em diversos aspectos.
Para concretizar seu desejo de aperfeiçoamento, a palavra pesquisa é absolutamente fundamental. Não basta sentir um desconforto. Para que esse sentimento e percepção se torne de fato uma expressão plástica, a acomodação jamais pode estar no vocabulário. Experimentar as alternativas conhecidas e busca novas é um imperativo permanente.
As monotipias de Gilson Bezerra apresentam justamente essa caminhada existencial. Nascido em Caruaru, PE, e radicado em São Paulo, SP, vale-se de diversas impressões manuais sobre papel, de tintas específicas para o que deseja atingir e do desenvolvimento aprimorado de matrizes para manter seu processo vivo.
O resultado atingido apresenta um grande lirismo. O diálogo entre as cores e formas estabelece um caleidoscópio de sentidos em que a maneira de trabalhar com as cores e as áreas proporciona o mergulho num universo diferenciado, em que a fantasia das artes visuais se torna protagonista, tendo Gilson Bezerra como delicado e firme regente.
Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura.