24/02/2026
Bordalo II, artista de rua português famoso por suas esculturas de animais feitas de sucata plástica e metal, disse: “O lixo de uns é o tesouro de outros”. Essa ideia de
Reaproveitar materiais não é apenas um exercício criativo ou uma maneira de lidar com questões ambientais.
Existe, nessa prática, o desenvolvimento de um olhar diferenciado para o mundo. Nascido e residente em Divinópolis, MG, Claudionor Ferreira de Lima desenvolve essa percepção. Utiliza a técnica de reaproveitamento de sucata na arte, conhecida como upcycling, que consiste em transformar o descartado em expressão estética.
Os metais ganham uma "segunda vida". Não vão para os lixões, o que, além de reduzir o impacto ambiental, agrega valor histórico e tátil às obras. Cada pedaço carrega a memória de sua função original. Deixa de ser resíduo e passa a ser vista, pelo artista e por quem observa a obra, como matéria-prima.
Esse processo estimula a percepção do espectador, que geralmente fica fascinado pela transformação do que era resto em algo que se torna protagonista. Conhecido popularmente como o "Artista da Sucata", Claudionor transforma aquilo que a maioria vê como restos em elemento protagonista.
Da sua experiência de três décadas em mecânico de máquinas de costura antes de se dedicar às artes, retira a habilidade do saber fazer, pois foi durante o período de isolamento da pandemia de Covid-19 que aquilo que era somente uma técnica se tornou um fazer artístico.
Engrenagens, chapas de ferro, correntes e peças de máquinas descartadas, resíduos industriais e mecânicos, se tornaram miniaturas de veículos, instrumentos musicais e animais em metal. Ocorre então aquilo que o artista visual Vik Muniz assim define: "De longe vê-se a imagem, a ideia. Ao aproximarmos, vemos o material. Este é o momento mágico quando uma coisa se transforma em outra".
Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador