
O título da aquarela de Fernanda Lago induz a pensar uma explosão individual que, na obra, se manifesta de diversas maneiras, capazes de conduzir a numerosas reflexões sobre o papel do corpo e suas relações com a mente, com a existência e com manifestações artísticas.
A mancha, os gestos circulares e a dinâmica de uma explosão caracterizam o trabalho não apenas como um ato individual, mas como o resultado da interação, integração e diálogos da artista com o mundo na perspectiva de conversas internas do indivíduo consigo mesmo e com a sociedade.
O corpo solitário criado no papel talvez não se relacione com o mundo; ou talvez a vivência com o todo seja tão intensa que existe uma destruição do próprio eu. A mancha, seja qual for o motivo da sua realização, pela sua visceralidade, indicia uma mudança brusca da imagem no espaço que pode deixar o indivíduo sem parâmetros.
Perante uma sociedade que que tende a criar regulações sociais geralmente excessivas e opressoras, a arte é uma resposta no sentido de utilização do movimento do corpo para criar uma manifestação visual que provoca no observador a inquietação de uma explosão interna que pode gerar consequências externas.
Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador
Inside Explosion, 2024
Fernanda Lago
aquarela em pequeno formato sobre papel Hahnemühle