
A frase "A maior ameaça ao nosso planeta é a crença de que alguém o salvará", do ambientalista britânico Robert Swan (1956), pode ser um mote para as criações de Filipe Inmundo, artista visual contemporâneo que se considera um "não-artista", definindo a sua produção como um "mero exercício de vida".
Suas obras não estão baseadas em crenças sobre um “alguém” salvador, mas sobre a prática cotidiana que pode mudar paradigmas. As obras que propõe estão relacionadas, nesse sentido, com o que se convencionou chamar de artivismo , termo que aglutina "arte" e "ativismo".
O uso de linguagens artísticas, nessa perspectiva, é visto como uma ferramenta de resistência política, protesto e transformação social na direção de provocar mudanças diretas, conscientizar sobre diversas questões e dar voz a diversas causas, principalmente às que veem a arte como uma manifestação visceral do ser humano.
Os traços e os gestos de Filipe Inmundo propõem uma visão da arte como uma livre interpretação do mundo em que a o movimento do ato de fazer é a maneira como o artista se relaciona com o mundo interno e externo, criando diálogos entre as próprias percepções e a chamada realidade.
Existe, portanto, uma mescla de memorias afetivas, desenvolvimento de recursos técnicos e capacidade criativa. Desse modo, a arte possa ser uma espécie de guia para escolhas existenciais cada vez mais conscientes, em uma dinâmica caracterizada pela visceralidade dos atos de pensar, fazer e criar.
Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador