
O trabalho desenvolvido pelo especialista em Psiquiatria Isac G. Karniol e Patrícia S. L. Karniol, psicóloga clínica, pode ser, de alguma maneira, sintetizado pela imagem dela que ilustra este post, desenhada em um guardanapo de papel de um restaurante popular de Campinas, SP, cidade onde o casal trabalha e reside.
A constituição de um “nós” que traga a possibilidade de um diálogo entre o “eu” da arte e o “você” da ciência permite a construção de um poético saber coletivo em que o particular ganha a potencialidade de ser universal e vice-versa em um processo contínuo de diálogo ativo.
Se artistas geralmente ligados à arte bruta como Bispo do Rosário, expressam a força de um “eu” único, singular e visceral, os “vocês” do mundo estão em todo tipo de sociedade que busca ordenar, organizar, qualificar e sistematizar os saberes de maneira científica.
Entre o “eu” de cada um e o “você” do outro, há um “nós”, mas também muitos nós a serem desatados ou atados de novas maneiras. Afinal, a relação entre o que cada um é e aquilo que o mundo espera dele não é festa apenas das individualidades artísticas, mas também da universalidade da ciência, na construção de um “nós” de diálogos.
Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador.
Desenho de Patrícia S. L. Karniol