
A pintura de Egas Francisco, nascido em São Paulo, SP, em 1938, mas radicado em Campinas, SP, tem no gesto uma de suas principais características. Isso cria em seus trabalhos uma atmosfera de algo que não está duro e acabado, mas fluido e em movimento
Vê-se nas obras, geralmente figurações, tanto autorretratos como imagens de pessoas da família, amigos ou figuras imaginárias, a densidade de uma obra que traz em si a ação do ato criativo. Essa fisicalidade, seja na pintura com óleo ou na aquarela, eterniza a dinâmica do ato do fazer.
Dessa maneira, os trabalhos, além de serem uma expressão de subjetividade, são um registro da ação do corpo do artista em relação ao suporte, seja tela ou papel. O espaço não se torna um local que recebe passivamente uma imagem, mas um palco de dinâmicas de um pensar, de um fazer e de um criar.
A pincelada plena de vigor torna o gesto visível e uma forma de enxergar um estado psicológico. Torna-se assim possível encontrar no trabalho rastros de ritmos. Velocidades e pressões trazem, portanto, índices existenciais, sendo impressões digitais e caligrafias que dão às obras vigor e identidade, de modo que a arte de Egas Francisco se torna uma extensão de sua existência.
Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador.