
Cibele Nunes Alencar, em “Marujos no sertão: primeira marujada de Montes Claros“, obra realizada com tinta acrílica sobre tela (70 x 90 cm), toma como assunto a primeira marujada na cidade mineira, ocorrida em 1902, após Francisco Taboca voltar do Rio Grande do Sul e conhecer essa tradição portuguesa.
A origem está em uma briga entre um comandante e um mestre de um navio. Os passageiros ficaram contra o mestre que, irado, matou o comandante e assumiu o controle da embarcação.
O melhor amigo da vítima pediu que o corpo fosse coberto com a bandeira do Divino Espírito Santo antes de ser jogado ao mar. Quando a Bandeira foi colocada sobre o defunto, ele ressuscitou. Por isso, a festa da marujada fala de mar, navio e fé.
A cor vermelha representa os mouros; e o azul, os cristãos, sendo utilizados, como instrumentos, viola, violão, cavaquinho, graviola e pandeiros. A pintura lida com o paradoxo de a festa tratar de marujos em uma cidade distante do mar.
O fato é tratado com bom humor, sendo preservadas as cores simbólicas e elementos essenciais na narrativa, como a bandeira do Divino, vermelha com uma pomba branca ao centro. Muito além de poder ser caracterizada dentro de denominações de estilo, a obra enfoca o assunto com conhecimento e o desenvolve plasticamente com convicção.
Oscar D’Ambrosio