textos

diárias de bordo

Marujos do sertão

Marujos do sertão
09/02/2026

Cibele Nunes Alencar, em “Marujos no sertão: primeira marujada de Montes Claros“, obra realizada com tinta acrílica sobre tela (70 x 90 cm), toma como assunto a primeira marujada na cidade mineira, ocorrida em 1902, após Francisco Taboca voltar do Rio Grande do Sul e conhecer essa tradição portuguesa. 

 

A origem está em uma briga entre um comandante e um mestre de um navio. Os passageiros ficaram contra o mestre que, irado, matou o comandante e assumiu o controle da embarcação. 

 

O melhor amigo da vítima pediu que o corpo fosse coberto com a bandeira do Divino Espírito Santo antes de ser jogado ao mar. Quando a Bandeira foi colocada sobre o defunto, ele ressuscitou. Por isso, a festa da marujada fala de mar, navio e fé. 

 

A cor vermelha representa os mouros; e o azul, os cristãos, sendo utilizados, como instrumentos, viola, violão, cavaquinho, graviola e pandeiros. A pintura lida com o paradoxo de a festa tratar de marujos em uma cidade distante do mar. 

 

O fato é tratado com bom humor, sendo preservadas as cores simbólicas e elementos essenciais na narrativa, como a bandeira do Divino, vermelha com uma pomba branca ao centro. Muito além de poder ser caracterizada dentro de denominações de estilo, a obra enfoca o assunto com conhecimento e o desenvolve plasticamente com convicção. 

 

Oscar D’Ambrosio