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Bordado sobre o Cangaço

Bordado sobre o Cangaço
05/02/2026

Fátima Carvalho realiza um bordado sobre o cangaço no Nordeste. O eixo central dela é a relação entre Lampião (Virgulino Ferreira da Silva) e sua companheira Maria Bonita (Maria Gomes de Oliveira). 

 

A imagem é um mote para refletir sobre o papel das mulheres no cangaço, motivo de grandes debates. Muitos veem Maria de Déa – como era chamada Maria 

 

Bonita entre seus pares, já que a denominação que a consagrou veio após a sua morte – como transgressora, embora, ao que se sabe, tivesse algumas atitudes conservadoras, como apoiar o assassinato de mulheres adúlteras.

 

Vale a pena lembrar que Maria Gomes de Oliveira (1910 - 1938) era uma dona de casa casada quando, em 1929, começou a namorar Lampião e decidiu juntar-se ao bando no ano seguinte. Tornou-se assim a primeira mulher do grupo. Foi também uma das poucas a tornar-se cangaceira por vontade própria, já que muitas eram raptadas pelos bandos de cangaceiros.

 

Morta com outros integrantes do bando de Lampião durante um ataque das forças de segurança a um acampamento onde pernoitavam, ela, assim como os demais, foi decapitada, tendo a cabeça exposta diante da Prefeitura de Piranhas (AL).

 

Pelo menos, no belo e lírico bordado de Fátima Carvalho, a relação entre Lampião e Maria Bonita se mantém em nossa mente como um grande e poético caso de amor em meio à secura e à violência do sertão.

 

Oscar D’Ambrosio