
Ao receber o convite para conhecer as Crônicas de Damar, fui informado que elas integram o acervo do Museu de Arte Interplanetária, onde ficam guardadas e gravadas em arquivos indestrutíveis.
Foram feitas em diversas técnicas, como aquarela, nanquim e lápis de cor, algumas vezes com decalcomanias, a partir de 2003, na linha humana do tempo, com escritas que podem ser lidas ou não, já que as línguas de Damar são muito diferentes das por mim conhecidas.
Muitas vezes as imagens, criadas em um universo em que o tempo é medido pela irregular passagem dos Cisnes Negros, são claras sobre um papel mais escuro; mas em outras cartas isso não acontece.
O fluxo da criação é intuitivo e com pausas, sem um planejamento prévio, em um processo cósmico que se assemelha a um gentil vômito sobre diversos tipos de papel. Muita coisa pode ser criada em um dia, mas também há intervalos de anos sem gerar documento algum.
Tudo começa no livro Tudo é semente, publicado em 1993, que conta com a participação especial de Santos Dumont visitando o mundo de Damar e seus fascinantes personagens, inclusive com um capitulo histórico sobre a vida e os principais feitos históricos do aviador brasileiro.
Naquele momento, começaram as crônicas, algumas coloridas, outras em preto e branco ou cinza. Há sementes que se abrem para gerar cidades, casulos de mariposas, carimbos e personagens alegremente alucinados.
Tudo se integra nas cartas, que não podem ser chamadas de livro, já que estão em papeis separados, sem encadernação ou ordem fixa, abrindo a possibilidade de múltiplas leituras sem ordem definida.
O que se vê e muito mais uma busca do que um resultado. Esse processo inclui pesquisa em muitas referências, que incluem fotografias de casas simples, elevados edifícios, paisagens urbanas e castelos em livros de arquitetura, revistas e jornais, além de mapas daquilo que os terráqueos chamam de realidade, além de imagens de bolhas, visualidades que fundamentam livremente as possibilidades de transparências que alimentam as Crônicas de Damar.
Oscar D'Ambrosio