
Ao ser convidado para vislumbrar as Crônicas de Damar a partir do olhar que elas têm sobre a natureza, percebi que todas elas, seja individualmente ou no conjunto, tratam, de maneira artística, das relações entre o ser humano, o tempo e a natureza. Essas instâncias têm como um de seus elementos centrais a paisagem.
Olhando a natureza é possível mergulhar melhor nas Crônicas. Ambas lidam com efeitos de luz, de sombra, trabalhando com cores e perspectivas diferenciadas do olhar de acordo com o momento que o observador está. Olhar para a natureza, nessa perspectiva, significa observar atentamente um território com as suas nuanças.
As crônicas são, nesse aspecto, uma maneira de lançar visualidades sobre as paisagens internas de cada um, com seus locais invioláveis, lugares silenciosos e regiões secretas. Imagens e letras fazem brotar, como ocorre em uma floresta, um bosque ou uma praça arborizada, elos entre a beleza, a resistência e movimento.
É o que ocorre ao se observar as árvores, com suas raízes, troncos, galhos e folhas. É importante ter uma percepção delas em si mesmas e das relações que estabelecem com o meio ambiente, evocando sutis pensamentos sobre forma, cor, luz e camadas que cada planta atinge em seu cenário natural.
Paisagens, portanto, aparecem, nas Crônicas de Damar, como intepretações do mundo. relacionando tempo, e espaço, estimulando uma educação permanente do olhar que leva ao aprimoramento da construção de uma pessoal capacidade de olhar para mundos reais e imaginários, que talvez sejam uma coisa só a serem vistos por múltiplos olhares.
Oscar D'Ambrosio