textos

diárias de bordo

Fátima Lourenço

Caminhos plásticos
Fátima Lourenço
19/03/2018

O universo do caminhar comporta diversas dimensões. Existe o literal, que é o de ter um trajeto a seguir, e o simbólico, que inclui uma dimensão existencial a ser percorrida, uma vereda que pode trazer surpresas a cada nova curva. Para a aquarelista Fátima Lourenço, o ato de observar uma paisagem plasticamente é uma mescla dessas possibilidades.

 

Ambas apontam para um elemento essencial: o compromisso com a busca de soluções visuais cada vez mais aprofundadas, produto de uma intensa pesquisa que tem como processo tomar imagens com referenciais variados e transformá-las pela integração entre dois elementos: o crítico e o estético.

 

O primeiro reside na forma como os olhos da artista, a partir do domínio da técnica com a qual trabalha, depuram aquilo que chamamos realidade. O segundo impressiona pelo rigor. Nesse sentido, as cores intensas transmitem a atmosfera dos caminhos enfocados, paisagens especiais, aparentemente intocadas pelo homem.

 

Fátima Lourenço revela, na construção de sua obra, o conhecimento profundo da difícil arte da aquarela, que exige extrema dedicação e elevada sensibilidade. Cada caminho que percorre é, na verdade, uma interpretação de um assunto, uma forma diferenciada de lidar com o material e mais um passo em seu aprimoramento.

 

Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura.