
O filme norueguês “Valor Sentimental”, dirigido por Joachim Trier, trata de relações internas de uma família e apresenta diversas camadas, principalmente por tratar de um núcleo voltado para a arte de diversas maneiras, desde a da cinematografia até a de viver, que é a mais complexa de todas.
A trama explora as dinâmicas de uma família quando o pai, um diretor de cinema famoso, tenta se reaproximar de suas filhas com a proposta de rodar um novo filme. Ele praticamente as abandonara em função da carreira e retorna oferecendo o papel de protagonista de seu novo filme para a mais velha.
No passado, inclusive, ele trabalhara com a filha caçula e agora o convida o filho dela, seu neto, portanto, para participar da nova produção. Trier explora esse processo de aceitações e negações dos personagens. Um momento essencial é quando o diretor veterano escala uma atriz famosa dos EUA para substituir a filha que recusara o papel.
A narrativa aponta semelhanças e diferenças entre distintas gerações, enfatizando como as decisões presentes que impactam o futuro têm boa parte de suas raízes nas memórias afetivas reais e imaginadas. Outro aspecto essencial é a discussão de como a arte pode ser, em grande parte, uma maneira constante de retrabalhar o vivido e o conhecido.
Existe, ao final, um certo otimismo na capacidade da arte de recriar laços perdidos no tempo e no espaço na perspectiva de que abandonos possam, de alguma maneira, ser reatados por meio da estética. Para os que acreditam que a arte cura, o final pode ser um bálsamo nas cicatrizes da existência que todos carregamos.
Oscar D’Ambrosio