textos

diárias de bordo

Estuário de imagens

Estuário de imagens
14/01/2026

Estuário de imagens

 

Um dos eixos da Bienal de São Paulo é o estuário, ou seja, a mescla plena de húmus (humanidade) entre a água doce do rio e a salgada do mar. É isso que encontramos na poética visual de Heinz Budweg.Nascido em Berlim, em 1950, chega ao Brasil aos 13 anos.

 

Nos anos 1960, iniciou suas viagens pelo interior do Brasil, visitando centenas de cidades e povoados, ganhado o Prêmio Jabuti, em 1974, pelas ilustrações da série infantil 24 lendas brasileiras da Editora Melhoramentos. Seu trabalho traz características que apresentam uma visão de mundo em que a cor é um elemento essencial. 

 

As tonalidades mais altas transmitem movimento ao trabalho e sugerem conversas entre as pinturas e a interpretação visual que o artista faz do mundo. A natureza é valorizada como um espaço de expressão plena, com liberdade nos traços e espontaneidade na maneira de distribuir os elementos.

 

Surgem cenas de natureza, pessoas e elementos arquitetônicos. A maneira da artista lidar com os personagens aponta para uma dinâmica interna que valoriza o cotidiano como um espaço a ser olhado não apenas como algo a ser vivido, mas a ser permanentemente levado para a arte sob um olhar expressivo,  diferenciado e interrogador.

 

O essencial está em pensar como a espontaneidade traz uma intensa verdade, uma cor do existir em que as criações instauram um mundo próprio, que parte do real, mas o recoloca em uma posição diferenciada, pessoal, livre e sem amarras ao sistema da arte, autêntico estuário de um artista alemão a enxergar o Brasil..

 

Oscar D’Ambrosio