
A repercussão do filme "O Agente Secreto", seja em âmbito nacional ou internacional, vem sendo marcada por reconhecimento e premiações. Um fator importante, às vezes um pouco deixado de lado, é a a cena de abertura.
É nela que somos apresentados ao protagonista, interpretado por Wagner Moura, e à situação de um país em que um corpo morto coberto de maneira improvisada em espaço público é encarado com um misto de estranhamento e de normalidade.
É óbvio para todos que não deveria estar ali, mas se pasa a conviver com ele como se fosse mais um personagem. E talvez esteja ali uma das grandes conquistas estéticas do filme: mostrar que aquilo que não é dito se torna o mais importante.
Era possível travar longos di´laogos sobre aquele ser morto em um posto de gasolina no meio do nada. No entanto, o espaço vazio e os silêncio demorados são mais eloquentes para lembrar que a arte do sugerido e do não-dito é mais eloquente e potente do que a da verborragia.
Oscar D'Ambrosio