
Falecida em 3 de setembro de 2025, Tonia do Embu (1950 – 2025), nascida em São Paulo, SP, reuniu, em seu trabalho, elementos visuais que valorizam o lidar com o barro como uma forma de expressão repleta de sentimentos. Pelo contato com o material, ela refez as próprias estruturas emocionais e as de quem conhece o seu fazer.
Suas criações retomam uma ancestralidade plena de alergias e lágrimas. Cada peça, nesse aspecto, representa todas as que fez e imaginou, pois o tempo de sua existência carrega tanto sorrisos como feridas que não cicatrizam jamais ou que o fazem com dificuldade.
A arte auxilia a tornar as experiências da existência em barro, dando-lhes materialidade e novos significados. O fazer é, portanto, um criar no sentido de apontar para a força do telúrico enquanto matriz primordial da vida. O lidar com argila remete assim à história da humanidade, principalmente das mulheres voltadas para os fazeres manuais.
As figuras femininas de Tonia do Embu, nesse contexto, geralmente com seios fartos, evocam justamente esculturas de antigas civilizações ligadas à fertilidade, comportando ainda a possibilidade de pensar as relações entre o masculino e o feminino por conexões simbólicas que valorizam a prática artística como criativa interpretação do mundo.
Oscar D’Ambrosio