
Metrópoles são universos em ebulição. Podem ser vistas emocionalmente, com paixão ou ódio, ou racionalmente, em suas estruturas arquitetônicas, frias, sob certos aspectos, mas encantadoramente dinâmicas, em suas variações. Mundos em constante transformação são ricos em possibilidades plásticas para quem os quiser desvendar.
Bacharel em artes visuais, cientista social e doutor em Artes na Espanha, José César Teatini Clímaco, mais conhecido como Zé César, é especialista em gravura e professor da Universidade Federal de Goiás. Seu olhar sobre a metrópole traz como signo importante as linhas retas e o constante movimento de infinitas possibilidades visuais.
Há em sua poética um sentimento de percepção e de pesquisa do espaço. A metrópole que nos apresenta, seja nas gravuras ou em recortes e incisões em papelão, é a de construções marcadas por uma lógica da irregularidade. Há simetrias e dissimetrias que dialogam de maneira integrada.
O que é colocado em realce é a beleza do mundo urbano. O competente e cuidadoso jogo de linhas possibilita a construção de certos padrões que o artista encontra e apresenta em seus trabalhos. Surgem assim cidades imaginárias que conversam com as verdadeiras. Zé César cria a sua Pasárgada, utopia de Manuel Bandeira, em que vale a pena viver.
Oscar D'Ambrosio é Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais.