
A aquarela digna desse nome trabalha com transparências e passagens de cor num exercício constante de sugestões. Eventuais figurações ficam em segundo plano perante o talento de construir uma poética pautada pela maneira de ocupação do espaço, num exercício que exige dedicação e aprendizado constante.
Ieda Helal se vale justamente de apurada técnica para construir seus universos plásticos, autênticas galáxias a desafiar a imaginação. O que mais chama a atenção nos trabalhos é a maneira como eles articulam informações para construir a composição. As sugestões visuais comandam o diálogo com o observador numa conjugação de forças espirituais e plásticas.
Um aspecto a ser ressaltado é a maneira como a artista geralmente utiliza o centro do quadro. Existe uma certa tendência para criar estruturas em que os vazios e cheios de tinta estabelecem elos entre o manifesto e o apenas sugerido.
Decorre daí uma poética que aponta para um certo lirismo na forma de utilização da folha de papel em branco. O maior mérito do conjunto está na habilidade de Ieda Helal de fugir de soluções óbvias. Sua expressão baseia-se na construção de um jogo de sensações e abstrações em que consegue, com extrema competência, manusear a aquarela com propriedade e sensibilidade.
Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é doutor em Educação, Artes e História da Cultura.