
Inverno, de Lia Paes
Lia Paes, em “Inverno”, pintura realizada com tinta a óleo sobre tela (70 x 50 cm), dialoga com o trecho do poema “As Estações”, de Olavo Bilac, em que a própria estação declara: “Sou a estação do frio;/O céu está sombrio,/E o sol não tem calor./Que vento nos caminhos!/Tragos a tristeza aos ninhos,/E trago a morte à flor./Há névoa no horizonte,/No campo e sobre o monte,/No vale e sobre o mar./Os pássaros se encolhem,/Os velhos se recolhem/À casa a tiritar./Porém fora a tristeza!/Em breve a Natureza/Dá Flores ao jardim:/Abramos a janela!/Outra estação mais bela/Já vem depois de mim”. A escada transmite a ideia de que qualquer período é uma passagem. O caminho, com cores rebaixadas, degraus desequilibrados e duas estruturas verticais que funcionam como pilares (poste de iluminação artificial e árvore) de acesso a um simbólico portal de transformações em que o engenho humano e a natureza agem e interagem lado a lado na jornada da existência.
Oscar D’Ambrosio