
Fragmento do poema “Panfletos Satíricos” do livro “O Livro da Adolescência”
“... a BELEZA era transitória como a juventude
e relativa como a não- BELEZA.
A BELEZA é uma Deusa presunçosa
que depende - como todos os deuses -
totalmente de suas criaturas."
Palimpsesto Terra
Este Palimpsesto de Euro S. R., ao ser pensado em diálogo com um fragmento de um de seus poemas, conduz a diversos caminhos de reflexão. Podemos pensar na “terra” como um símbolo de organização que leva à fertilidade e à vida, sendo matriz, portanto, da criação e do fim de tudo, pois, na tradição judaico-cristã, os seres humanos dela foram feitos e para ela retornarão. A obra visual do artista constituiria assim uma “terra bruta” que o seu trabalho de lavar e raspar ara e faz buscar sementes permanentemente. Seria o resultado belo? Para Pitágoras, isso depende da presença da matemática; para Platão, a beleza estaria na essência das ideias; e, para Aristóteles, a virtude estaria associada ao belo. Isso para apenas pensar nos gregos... O conceito de beleza passa, portanto, por conceitos de relatividade da beleza de acordo com épocas e culturas. Talvez a maior beleza esteja na capacidade de nos fazer pensar.
Oscar D’Ambrosio