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diárias de bordo

Crucifixo, de Helena Vasconcelos

Crucifixo, de Helena Vasconcelos
19/06/2021

A obra trabalha com elementos da simbologia cristã, como o crucifixo, representação do sacrifício feito por Jesus Cristo (Filho de Deus, com quem se conecta verticalmente) pela humanidade (Ele foi Homem, daí a horizontalidade).

 

O crucifixo é constituído por rolhas. Elas aludem ao vinho, que reportam à Transubstanciação, momento da missa em que o sacerdote, no papel de Cristo (“in persona Christi)”, repete as palavras ditas por Jesus na última ceia: “Isto é o Meu Corpo... Este é o cálice de Meu Sangue… “.

 

Para os cristãos, isso significa que pão e vinho se tornam de fato o corpo e o sangue de Cristo. Eles vão além de sua substância anterior, de modo que Cristo se torna uma presença real (não simbólica) em cada celebração.

 

A cruz feita de rolhas de vinho remete à Eucaristia, renovação do sacrifício de Jesus no Calvário feita em cada missa pelo ato coletivo de compartilhar seu corpo e seu sangue. A cerimônia aponta, portanto, para a renovação da fé.

 

Além disso, o sol, colocado no canto superior esquerdo, é outra forma da onipresença de Cristo. Seus raios representam a propagação da fé por meio dos apóstolos. O astro-rei ilumina assim os caminhos da esperança na ressurreição.

 

Na parte inferior, há significativamente quatro personagens. Cada uma porta um Santo Rosário. Desde 2002, o papa João Paulo II somou às tradicionais 150 recitações da Ave Maria, com as correspondentes reflexões sobre três Terços de Mistérios (Gozosos, Dolorosos e Gloriosos), episódios das vidas da Virgem e de Jesus considerados essenciais para Salvação, um quarto grupo, os Luminosos, totalizando 200 orações.

 

A obra, pela presença do Sol (iluminação divina), do crucifixo (representação do sofrimento de Jesus) feito de rolhas (alusão ao vinho, o sangue de Cristo) e do Santo Rosário (200 orações para pedir ou agradecer graças para si e para os outros), conduz a um tempo de paz e serenidade que religa os seres humanos com a Misericórdia Divina.

 

Oscar D’Ambrosio