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Poema e Obra visual de Euro S. R. (5)

Poema e Obra visual de Euro S. R. (5)
18/06/2021

Fragmento do poema “Hotel Amadeu” do livro “O Livro da Adolescência”

 

“No Hotel Amadeu

entre os escorpiões da carne

e os ferrolhos da moral eu pressentia

que era preciso assaltar os céus

e que o conhecimento e o saber

não mais podiam ser submetidos e subordinados

 

O Moderno havia sido modelado

com o sacrifício dos mais pobres

e não havia trazido

a liberdade prometida

mas a angústia, a fome

e a manutenção da desigualdade"

 

Palimpsesto Cinabre

O palimpsesto de Euro S.  R. permite estabelecer elos simbólicos com o texto. Existem, na área central, dois triângulos avermelhados, um com a ponta para cima e outro com ela para baixo. O ato de “assaltar os céus” passa por essa dualidade, pois “os escorpiões da carne” e “os ferrolhos da moral” prendem o ser humano ao telúrico, ao universo em que a serpente tentou Adão e Eva – e eles, cedendo aos prazeres, tiveram como punição a sua expulsão do Paraíso. No atual mundo de “manutenção da desigualdade”, a imagem do artista se cristaliza pelas partes que a compões. Uma linha horizontal imperfeita separa áreas mais retas, na parte superior; daquelas mais pontiagudas, na inferior; ou seja, a estabilidade divina se separa da instabilidade humana. Perante “a angústia, a fome” e outras formas de violência, a arte é uma resposta, seja, de acordo com observador, ascensional ou não.

 

Oscar D’Ambrosio