
Realizado em um curso baseado em obras modernistas, este trabalho de Cinthia Moriyama toma como ponto de partida o trabalho “A Esfinge", de Ismael Nery. Sem título, a obra (40 x 40 cm), de 2018, utiliza colagem e bordado para expressar a complexidade de um artista (1900 – 1934) que pintou cerca de uma centena de telas em apenas 33 anos de vida.
O título remete à célebre esfinge grega, que, em frente a Tebas, perguntava aos viajantes qual era o ser que tinha quatro pés de manhã, dois ao meio-dia e três ao entardecer. Devorava todos os que não a decifravam seu enigma, cuja resposta era “o ser humano”, que engatinha na infância, anda com dois pés na vida adulta e se apoia em um bastão na velhice.
Analogamente, o trabalho de Ismael, que mesclava surrealismo e simbolismo, era um enigma para os seus contemporâneos. No leito de morte, o artista até pediu ao seu grande amigo, o poeta Murilo Mendes, que destruísse a sua obra. Ele felizmente não o atendeu – e preservou o acervo, que seria valorizado nas décadas de 1960/70.
Autorretratos de Ismael e imagens com a sua esposa Adalgisa aparecem entrelaçando o masculino e o feminino. Perante as fantasias, sonhos, devaneios e misticismo de Nery, Cinthia oferece a sua resposta em forma de uma espécie de cérebro composto por diversas colorações que indica que o grande enigma da humanidade é conhecer a si mesma.
Oscar D'Ambrosio é Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista e crítico de arte.
O PROJETO TRAMA DO DIA publica diariamente uma obra do universo da arte têxtil com respectivo comentário a partir de 1/6/2021. Mande sua imagem em boa resolução para o e-mail projetotramasbrasileiras@gmail.com com as seguintes informações: nome d@ artista, título, dimensões, ano, técnica, materiais utilizados e informações adicionais que julgar relevantes da obra.
Esta ação se insere no Projeto Tramas Brasileiras, coordenado por Oscar D’Ambrosio e Parísina Ribeiro.