
Texto de Jorge Medeiros Imagem de Vermeer
Sombra torta, de Jorge Medeiros Esse vão entre as coisas Um nada que existe e persiste Milhões de anos luz em constelações, braços espirais Entre átomo e átomo Estranha incolor matéria escura Agrupam-se íons Ancoram-se realidades que me tomam, arrebatam Invoquei céus intuitivos Lidei com tamanhos infinitos Beira de abismo de queda invertida Sei da sombra torta em superfície curva Das estrelas que se distanciam, noite e breu Vento solar, Rajada multicor Quando Imãs que me atraem, magnéticos dobram o tempo Esticam corpos em geometrias Remontam em cubo de Metatron
Woman Holding a Balance, de Vermeer
Vermeer é uma referência no trabalho com luzes e sombras. “Woman Holding a Balance”, pintada por volta de 1664, enfoca o cotidiano de uma maneira extremamente delicada e plena de técnica. Existe conhecimento geométrico aliado a decisões sutis na maneira de construir a cena. A composição mescla a maneira de iluminar faces e mãos com uma preocupação constante de gerar equilíbrios visuais que tornam as telas locais agradáveis de se olhar. De modo simbólico, a obra traz “cubo de Metraton” mencionado no poema de Jorge Medeiros. Quadro e texto apontam para essa figura que representa a união das retas do masculino e das curvas do feminino para criar um infinito campo de unidade. As imagens de Vermeer constituem assim um equilíbrio no tempo além do próprio tempo. Especificamente em “Woman Holding Balance”, o tempo fica estagnado – e a pintura se concretiza.