

Eu Sou o Infinito, de Gêiza Barreto Texto de Oscar D’Ambrosio
“Eu Sou o Infinito”, obra realizada com técnica mista sobre tela (20 x 20 cm) por Gêiza Barreto, em 2021, motiva um pensar sobre o oito deitado, símbolo do infinito, pois seu traço não tem começo, meio ou fim, levando a um fluir contínuo do nosso olhar sobre a vida. Significativamente, a artista coloca o seu trabalho sobre o seu rosto, na altura dos olhos, o que leva a pensar justamente sobre quem somos e quem mostramos ser. Esse jogo de aparências e essências se multiplica quando observamos que os olhos são tradicionalmente vistos como os espelhos da alma. Colocar o símbolo sobre eles, portanto, constitui uma ambiguidade muito rica. Por um lado, olhar para eles lembra da multiplicação de possibilidades de interpretação do que a pessoa é; mas, por outro, também aumenta a dificuldade de saber quem a pessoa possa de fato ser. E desse jogo de revelar/esconder que a arte se alimenta infinitamente.
Oscar D’Ambrosio