
O diretor James Gray, em Z, A Cidade Perdida', faz a apologia do direito de sonhar. O filme conta a história real de Percy Fawcet, um oficial do exército britânico que não consegue subir na carreira por ter um pai ligado ao jogo e á bebida. Isso o leva a aceitar liderar uma missão na Amazônia para demarcar as fronteiras entre Brasil e Bolívia.
A missão tornou-se obsessão. Assim como ele era marginalizado, Fawcet percebeu que os indígenas da região, considerados selvagens, haviam integrado uma civilização com cerâmica de qualidade e riquezas. Gradualmente, o desejo de reconhecimento público abre espaço para a procura de um paraíso perdido.
Mas encontrar aquilo que ninguém acredita traz suas consequências, como afastamento da família, a inveja e dores físicas e psicológicas. Percy consegue prosseguir mesmo com esses conflitos e acaba realizando três viagens na caça ao seu ideal. E aí está a grande atração do filme: nos pergunta a todo instante se ainda mantemos a capacidade de sonhar.
A obra trata--se, minuto a minuto, menos uma aventura e mais uma jornada existencial. As agruras do protagonista, às quais ele enfrenta com resistência exemplar, parecem fortalecer uma caminhada vivencial em que a única derrota parece ser não tentar. Assim, o espírito de Percy entra em nossa mente e em nosso coração combatendo qualquer mesmice e acomodação. Isso não pouco!
Oscar D'Ambrosio, Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais, atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp.