
As artes visuais têm o poético papel de desconstruir e de reconstruir mundo. Perante aquilo que costumamos chamar de realidade, o olhar atento do pintor pode nos oferecer uma nova possibilidade. Trata-se de uma diferente maneira de conhecer, caracterizada pelo perceber e sentir aquilo que nos cerca.
Francisco Borges-Laranjal, na sua exposição 'Madonas', traz justamente uma releitura do universo caracterizada por dois processos: o de fragmentar e o de recompor. Oriundo de Laranjal, MG, e radicado em Curitiba, PR, oferta o observador com uma coletânea de seres divididos nas imagens, mas unidos pelas tonalidades de cor.
Há em suas composições uma espiritualidade que provém de uma leitura do mundo em que cosmos são estabelecidos a partir de aparente caos. A integração se dá do mesmo modo que num vestido de chita, no qual é dos quadriculados e da justaposição que surge o vigor de uma linguagem.
As festas populares do interior mineiro podem ser consideradas uma referência no sentido de colaborar de duas maneiras para o resultado final: no desprendimento, no uso da cor e na alegria transmitida pelas diversas imagens. A poética da fragmentação do artista constitui-se assim num fazer lírico que se une em uma sutil poética do fazer.
Oscar D’Ambrosio é jornalista, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é Doutor em Educação, Arte e História da Cultura.