
A arte tem diversas motivações. Oriundas das mais variadas fontes, levam o criador visual a produções e encruzilhadas diversas. Muitas vezes, a produção se dá nos silêncios dele perante os dilemas da existência. Outras vezes, por uma espécie de grito que anuncia a própria presença no mundo.
J. Bento (José Bento Alves de Souza) é daqueles artistas que prefere trabalhar com a delicadeza. Suas obras são depoimentos visuais realizados com extremo cuidado e carinho. A sua lírica se dá de maneira mais marcante quando trabalha a figura humana, numa linguagem que remete a Portinari, mas que tem soluções visuais próprias.
As imagens que povoam seu imaginário apontam para uma sociedade em que exista uma harmonia entre as pessoas. E, de fato, as suas criações trazem uma concepção de mundo em que há uma integração entre figura e fundo. Assim, diferenças são eliminadas em função de uma harmonia existencial.
A delicadeza e a sutileza predominam num artista que ama a humanidade. Suas criações nos colocam diante de uma realidade em que a dor e o sofrimento cedem espaço a uma placidez que contagia. O mundo ganha então um sentido. E nos sentimos, graças a J. Bento, felizes em viver.
Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é Doutor em Educação, Arte e História da Cultura.