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diárias de bordo

O Último Retrato

Um aula do ato de criar
O Último Retrato
15/02/2018
 


 

Por mais que se escreva, se leia ou se filme sobre arte, um mistério permanece: o do ato de criação em si mesmo. O que determina o poder de transformar ideias em imagens? Como esse processo se dá e como cada um lida de maneira diferente com esse universo em que parece não haver limites para genialidades, manias e idiossincrasias?


 

 


 

Uma pista pode ser encontrada no filme 'O retrato final'. Dirigido por Stanley Tucci, traz a história real do artista plástico Alberto Giacometti (o ótimo Geoffrey Rush) pintando o retrato de James Lord. A tarefa programada para dias se alonga por semanas e nos introduz em infinitas questões associadas ao fazer artístico.


 

 


 

A principal talvez seja a insatisfação do artista e o desafio de saber quando deve parar uma determinada obra. Giacometti, fumante incessante, mulherengo e com uma relação quase infantil com dinheiro, traz para o debate um dado essencial: a movimentação mental interna que o impedia de entender e de apreciar o próprio trabalho.


 

 


 

O conceito de um eterno recomeçar e de uma dinâmica que impede considerar-se a si mesmo um grande artista, além de bastante comum entre os criadores, parece ser também uma defesa a prováveis críticas, pois, ver-se como imperfeito surge assim como único caminho autêntico para a perfeição. A questão é lindamente complexa. E o filme a trata com a maestria.


 

 


 

Oscar D'Ambrosio, Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais, atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp.