
Certamente você já acordou em alguma manhã, ou talvez em todas elas, com o sentimento de que o mundo estava desordenado. E, por maiores que fossem seus esforços, o caos prosseguia. Seja uma visão pessimista ou realista do que consideramos realidade, essa percepção perde sentido ao se conhecer a obra do goiano Dilvan Borges.
O que mais fascina nas pinturas do artista é o estabelecimento de um cosmos com começo, meio e fim. Cada imagem tem uma narrativa implícita, uma interpretação regida por cores claras e áreas visuais bem definidas. É possível assim atingir um equilíbrio visual e existencial.
Os trabalhos de Dilvan oferecem um respiro numa sociedade em que as paradas são cada vez mais raras. O que o artista oferece é justamente um momento de reflexão sobre a existência, com flores gigantes e uma perspectiva solar onipresente. O equilíbrio atingido torna cada instante único em sua possibilidade de fazer o tempo parar.
Um elemento essencial na proposta do artista está em oferecer uma linguagem aparentemente simples dentro de uma perspectiva bem elaborada. O resultado encanta exatamente por parecer muito elementar, mas chegar a esse tipo de representação demanda um progressivo aperfeiçoamento num jogo entre a intuição e a técnica.
Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é doutor em Educação, Artes e História da Cultura.